Eliminando chamadas indesejadas: o impacto da tecnologia STIR/SHAKEN no Brasil
Saber quem está do outro lado da linha antes de atender. Como o protocolo STIR/SHAKEN autentica chamadas e reduz fraudes e interrupções no Brasil.
Durante anos, o número que aparecia na tela do celular não valia nada como prova. Qualquer um podia forjar a identificação e ligar se passando por um banco, por uma operadora ou até pelo número do seu vizinho. Isso está mudando, e não como promessa futura: a autenticação de origem de chamadas já está em operação no Brasil e é obrigatória por regulamento.
O que a autenticação de origem faz
O protocolo conhecido como STIR/SHAKEN funciona como um selo de procedência aplicado à ligação. Quando uma chamada sai da rede de origem, ela recebe uma assinatura digital que atesta que aquele número pertence de fato a quem está ligando. A rede que recebe a chamada verifica essa assinatura antes de completar a ligação.
O resultado prático é simples: fica muito mais difícil forjar a identificação de origem. A prática de exibir um número falso na tela, que sustenta boa parte dos golpes por telefone, perde eficácia.
O que ela não faz
Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas.
A autenticação diz que o número é legítimo. Ela não diz quem é a empresa, qual o assunto da ligação nem se você quer atender. Exibir nome, logotipo e motivo da chamada é uma camada adicional de identificação de chamador, contratada separadamente por quem liga.
Ou seja, uma ligação autenticada não é necessariamente uma ligação desejada. Um telemarketing dentro das regras também é autenticado. O que a tecnologia entrega é confiabilidade da origem, não filtro de conteúdo.
Como está a implementação no Brasil
O Brasil adotou um modelo centralizado, com uma entidade única responsável por operar a autenticação para todo o mercado, custeada pelas próprias prestadoras. O sistema é conhecido como Origem Verificada.
A obrigatoriedade veio pela Resolução 777 da Anatel, que estabeleceu prazo de três anos para que a totalidade das chamadas seja autenticada, com término em 2028. Quem gera grande volume já foi alcançado primeiro: empresas com mais de 500 mil chamadas mensais receberam prazo curto para se adequar.
O volume mostra que a operação saiu do papel. Foram 35 bilhões de chamadas autenticadas em 2025, com dezenas de operadoras móveis e centenas de prestadoras de telefonia fixa já integradas.
Os obstáculos que ainda existem
Dois pontos explicam por que a cobertura não é total desde já.
O primeiro é a rede. Boa parte das interconexões entre operadoras ainda roda sobre tecnologias antigas, que não conseguem transportar as informações extras exigidas pela autenticação. Enquanto esses trechos não forem modernizados, a assinatura se perde no caminho.
O segundo é o aparelho. A forma como o selo aparece na tela depende do sistema operacional e do modelo do celular, e essa exibição ainda não é uniforme. A chamada pode estar autenticada sem que o usuário perceba nenhuma diferença visual.
O que muda para empresas que ligam
Para quem usa o telefone como canal de contato legítimo, o efeito é positivo e direto. Com a origem autenticada, a chamada deixa de ser tratada como suspeita pelos sistemas antifraude das operadoras e pelos aplicativos de bloqueio, o que tende a elevar a taxa de atendimento.
Há também um efeito de seleção. Conforme a autenticação vira padrão, quem opera fora das regras fica progressivamente mais visível e mais fácil de bloquear. O canal fica mais limpo para quem sempre operou corretamente.
A lógica vale para todos os canais
O movimento da telefonia é o mesmo que já aconteceu no WhatsApp: identidade verificada, remetente rastreável e regras claras sobre quem pode iniciar uma conversa. Em ambos os casos, a resposta do mercado foi a mesma, separar quem opera dentro das regras de quem depende de disfarce.
É por isso que uma plataforma como a Mais Chat trabalha com número oficial e conta verificada. Não é burocracia, é o que garante que a mensagem chegue e que o cliente confie no que aparece na tela.
Conclusão
A autenticação de chamadas não elimina o telemarketing nem acaba com toda ligação indesejada. O que ela faz é devolver sentido ao número que aparece na tela, atacando a base técnica que sustentava boa parte dos golpes por telefone.
Para o consumidor, é menos desconfiança ao atender. Para a empresa que liga de forma legítima, é a chance de voltar a ser atendida.